
Li esse texto nesse final de semana, falava de um boxeador que descobriu que nunca poderia realizar a luta pela qual ele se preparou toda a sua carreira, ao qual ele acreditava que daria todo o sentido as sua vida até aquele momento.
Curioso, de uma maneira diferente, mas talvez com o mesmo sentimento eu me sinta assim também, desisti dos meus maiores sonhos, das minhas crenças que me carregaram por tantos anos, nunca duvidei delas, às vezes de como alcançá-las, mas nunca delas em si, e esse ano eu desisti. Entendam, não desisti apenas porque não consegui, desisti porque não acredito que seja meu destino. Talvez eu simplesmente não seja forte o suficiente no momento para ir atrás desses sonhos, talvez eu tenha que ir em busca de mim primeiro, sem planejar nada, só viver e me achar antes de tudo, antes de sonhar e tentar voar.
Desisti não por falta de coragem ou por estar cansado (foram muitos anos de luta), mas porque chegou um momento em que eu estava como esse personagem, eu me forçava a prosseguir, todos me falavam, vai, você é teimoso então em alguma hora vai conseguir, e quando eu tentava me imaginar em uma vida "satisfatória", em um lugar melhor, eu não conseguia que tipo de lugar seria esse? Percebi que os meus sonhos eram antigos, que eles eram nobres, lógico que eu os queria, mas eu precisava de coisas mais simples, coisas que eu não consegui no caminho, e que diferente do que eu achava antes, são essenciais para mim, para minha vida, não posso prosseguir sem essas coisas simples que eu ignorei pelos meus sonhos maiores.
Nunca fui feliz de verdade, no máximo um pequeno momento onde vivi com uma família em um mundo que não era a realidade, sempre me senti sozinho, e achava que quando eu fosse "melhor" quando alcançasse meus objetivos, mesmo que parcialmente, isso mudaria e não me sentiria só, achei que se eu fosse alguém dedicado, compreensível e perceptível, eu seria recompensado, ou no mínimo estaria com a minha consciência tranquila. Mas mesmo tendo várias pessoas a minha volta, sendo considerado por pessoas que eu gostava, mesmo assim eu sempre me senti só.
Hoje isso não é mais assim, só mantenho contato frequente com uma amiga, ocupo o meu tempo com coisas egoístas, se me chamam eu vou, não tenho nenhum sonho que ultrapasse três meses para ser concluído, e por incrível que pareça não me sinto mal, parece que tirei um grande peso dos meus ombros, não me sinto só, sinto saudade de certas pessoas, mas ao não fazer planos com elas eu não sinto a falta delas, só fico contente quando de vez em quando as encontro ou uma delas me chama, e meus sonhos bem, eles seguem a mesma linha, agora que não espero nada grandioso, quando acontece alguma coisa simples, essa coisa se torna uma vitória, um quilo perdido por causa da academia, um quilo ganho por causa da musculação, uma carteira de motorista nova, livros baratos que encontro ou alguma coisa nova que compro para casa, cada pequena coisa boa tem um sabor de vitória que antes eu não sentia, assim com algumas pessoas antigas que me vem e falam que tem saudades, parece que essas coisas tem um gosto que antes eu não conseguia saborear.
Não vim aqui dizer que não ter sonhos é a maneira correta de se viver, e que agora sou uma pessoa melhor, longe disso, tenho consciência que um dia a necessidade de alçar voo voltará, mas como na história desse boxeador às vezes a gente luta, vive, sem saber o porquê, às vezes os motivos que te fizeram prosseguir devem ser revistos, pois a resposta que ele encontrou foi que, não existe um objetivo final, o que existe é um caminho, assim como ele os meus objetivos existiam porque quando eu os conseguisse eu saberia que eu teria me tornado uma pessoa melhor, portanto o meu desejo não era o objetivo em si, mas me tornar melhor, e melhor é ser feliz também, ter amigos que eu possa confiar ter coisas que façam me sentir bem ter alguém que a minha presença a faça se sentir bem, pequenas coisas, que tangem uma pessoa de valor.
E se tem uma coisa que me foi mostrada quando eu falhei, e falhei de novo, é que eu não possuo essas "coisas simples" e nesse ano, quando eu desisti, comecei a ser mais egoísta, consegui muitas coisas dessas "coisas simples" e tenho me sentido mais forte do que nunca, para meu total espanto.
Sempre pensei que primeiro eu teria que me realizar para ser feliz, agora percebo que tenho que ser feliz para dai me realizar. Crescemos de dentro para fora e não ao contrário, só quando nosso espirito se sente bem é que podemos dar nosso melhor. rsrs curioso, minha teoria de 1 em tudo se mostra cada vez mais correta.
Observação. não estou feliz realmente só não estou pensando em suicidio como imaginei que seria.

